16/03/2011

Candiota III (Fase C) é obra do PAC

Obra aguardada por mais de duas décadas está em operação comercial. A construção da UTE Candiota III (Fase C), no município de Candiota é o principal projeto de expansão da CGTEE, estando incluído no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), do Governo Federal.

Histórico

O Projeto de ampliação da capacidade de geração a carvão, denominado Candiota III (Fase C), com 350 MW, teve origem em um projeto concebido pelo governo do estado do Rio Grande do Sul no inicio da década de 80, fruto de acordo entre os Governos do Brasil e da França, para incrementar a produção brasileira de energia elétrica a partir do carvão. O projeto original previa a construção de seis unidades geradoras de 335 MW cada.

Em 1981, foram adquiridas partes importantes da primeira unidade, cujos equipamentos e materiais ficaram estocados em depósitos na França por alguns anos. O projeto foi paralisado pelo governo estadual em 1985.

No governo Olívio Dutra, a então Secretária de Minas Energia e Comunicações e hoje presidenta da República, Dilma Rousseff, viabilizou a transferência dos equipamentos para o governo federal, ocasião em que os mesmos foram trazidos para o Brasil e armazenados em Candiota, recebendo a CGTEE, naquela ocasião, a incumbência de conduzir a implementação da unidade geradora já parcialmente adquirida.

Estudos técnicos desenvolvidos pela CGTEE e Eletrobras, sob a orientação do Ministério de Minas e Energia - MME, mostraram que a viabilidade da implantação da unidade Candiota III se daria somente num outro formato, como uma unidade única e autônoma, e construída em área contígua ao complexo Candiota (Fases A e B), e ainda, utilizando os equipamentos e materiais já adquiridos.

O projeto de construção de Candiota III (Fase C) somente em 2006 começou a sair do papel.

A construção do empreendimento significa a retomada da utilização do carvão na produção de energia elétrica para atendimento do mercado brasileiro, duplicando o consumo deste combustível no estado do Rio Grande do Sul, propiciando geração de empregos e distribuição de renda na Metade Sul do estado, região cuja economia por um longo período esteve estagnada.

Para a CGTEE, significa a ampliação de sua capacidade produtiva em cerca de 100%.

Características Principais da UTE Candiota III (Fase C):

  • Potência instalada: 350 MW

  • Localização: município de Candiota/RS

  • Valor atualizado do investimento: R$ 1,5 bilhão

  • Energia comercializada: 292 MW médios

  • Combustível principal: carvão mineral da Jazida Candiota

  • Dotada de equipamentos de controle de emissões atmosféricas

  • Conexão ao Sistema Transmissão: Subestação Presidente Médici (CEEE), em 230 kV.

Benefícios:

  • Maior aproveitamento do carvão nacional/gaúcho, com redução de preço, facilitando a alavancagem de novos empreendimentos na região de Candiota

  • Agrega energia firme para atendimento do mercado nacional

  • Impacta positivamente a economia da região (Metade Sul do Rio Grande do Sul) cujo desenvolvimento sócio-econômico por muito tempo manteve-se deprimido

  • Geração média de empregos: na construção: 1.500 empregos diretos e 3.000 empregos indiretos; na operação e manutenção: 250 empregos fixos

  • Operação com combustível nacional garantido, e sem risco cambial.

 

Energia gerada já comercializada por 15 anos:

 

No dia 16 de dezembro de 2005, o empreendimento foi ofertado no Leilão promovido pela ANEEL, Edital Nº 002/2005, sagrando-se vencedor no produto 2010 T15, tendo comercializado 292 MWmédios, pelo período de 15 anos a contar de 01/01/2010, todo comercializado para o ambiente regulado.

Acordo Internacional Brasil/China:

Candiota III (Fase C) é um dos projetos integrantes do Acordo Internacional firmado entre a República Popular da China e a República Federativa do Brasil, cujo objeto é o fortalecimento da Cooperação na Área de Implementação de Infraestrutura de Construção.

O Acordo, depois de aprovado pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal, foi promulgado por meio do Decreto 6.009 de 3 de janeiro de 2007. O referido acordo decorreu de ações anteriores adotadas por autoridades governamentais brasileiras, iniciadas com a visita à República Popular da China, pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, seguindo-se da formalização do Memorando de Entendimentos entre o Ministério de Minas e Energia - MME e o Ministério do Comércio da República Popular da China, em 06 de setembro de 2004, objetivando a cooperação bilateral nos setores de petróleo, gás natural, combustíveis renováveis, eletricidade e mineração, incluindo construção de obras de infraestrutura nestes setores e do Memorandum of Understanding (MOU), firmado também em 06 de setembro de 2004, entre a ELETROBRÁS e o CITIC Group (estatal chinesa), com o propósito de desenvolver estudos conjuntos para viabilização e construção de projetos de geração e transmissão de energia elétrica, entre os quais Candiota III (Fase C).

Contrato para a construção (EPC):

O Citic International Contracting Co. LTD., empresa integrante do conglomerado chinês Citic Group, foi a “epecista” responsável pelo projeto, suprimento de equipamentos e componentes, construção integral da obra e entrega em condições de operação comercial.

Financiamento para a obra:

A maior parte do valor a ser investido no empreendimento Candiota III (Fase C) provém de financiamento tomado pela Eletrobras junto aos bancos China Development Bank - CDB e BNP Paribas. A captação foi feita pela Controladora da CGTEE, por ter a Eletrobras larga experiência nesse tipo de operação. Os contratos de financiamento para a construção da UTE Candiota III (Fase C) foram assinados no dia 20 de abril de 2007, e totalizaram US$ 430 milhões.

Na mesma ocasião foi assinado o contrato de repasse do financiamento da Eletrobras para a CGTEE, que é a responsável pela implantação do empreendimento, no município de Candiota, no Rio Grande do Sul.

 

A captação de recursos internacionais pela Eletrobras, para repasse à CGTEE, foi aprovada pelo Senado Federal, por meio da resolução nº 34, de 3 de agosto de 2006.

A Questão Ambiental

Impactos Socioambientais Relevantes

Candiota III (Fase C) utiliza para a produção de energia elétrica o carvão mineral pulverizado. Os impactos ambientais mais relevantes da queima deste combustível se dão principalmente pelas emissões aéreas liberadas durante o período de operação da usina. O impacto na atmosfera determina que cuidados sejam tomados com a instalação de equipamentos para minimização e controle dessas emissões.

Os impactos no meio solo e água, apesar de importantes, são menos significativos, cabendo as maiores preocupações, nestes aspectos, à mineração do carvão. Mesmo assim, cuidados adicionais quanto ao consumo de água e lançamento de efluentes foram adotados.

A bacia hidrográfica do Arroio Candiota, e mais especificamente a bacia de acumulação da Barragem II, fonte de abastecimento de água do complexo Candiota, garante em condições de estiagem, um mínimo de 1 m3/s (3600 m3/h). Esta vazão é suficiente para permitir o consumo máximo das Fases A e B de Candiota que é de 0,236 m3/s (850 m3/h), somado ao de Candiota III (Fase C) que é de 0,291 m3/s (1050 m3/h), totalizando um consumo de aproximadamente 0,527 m3/s (1900 m3/h). O saldo remanescente dos recursos hídricos disponíveis nesta particular situação crítica é ainda de cerca de 0,473 m3/s (1700 m3/h).

O empreendimento propiciou ainda o desenvolvimento de programas socioambientais, como por exemplo, o Programa de Educação Ambiental e Capacitação e Treinamento, essenciais para que a comunidade, ou localidades próximas, entendessem a importância do empreendimento e pudessem também usufruir de seus benefícios.

Além desses, deve-se considerar a parcela de investimento feito pela CGTEE referente à Compensação Ambiental, que é uma exigência legal e representa, no mínimo, 0,5% (meio por cento) do valor total do empreendimento. No caso, foram mais de R$ 4,5 milhões em investimentos a esse título, quase todos feitos na Estação Ecológica do Taim.

Controle das Emissões Atmosféricas

Os padrões de emissão atmosférica, definidos no licenciamento ambiental do empreendimento, respeitando a legislação, ficaram assim definidos.

  • Material Particulado, para operação com 80% da Potência Nominal: 265 mg/Nm3

  • Material Particulado, para operação com 45% da Potência Nominal: 100 mg/Nm3

  • SO2 : 1.700 mg/Nm3

  • NOx : 680 mg/Nm3

Para garantir o atendimento dos padrões de emissão atmosférica fixados, o projeto adotou tecnologias modernas de abatimento de material particulado integrado ao sistema de dessulfurização, além da utilização de queimadores de baixa emissão de NOx.

O sistema de dessulfurização adotado é do tipo semi-seco e emprega a cal virgem como agente dessulfurizante. As vantagens do processo de dessulfurização, integrado ao sistema de coleta de pó, escolhido, são sua alta eficiência( > 80% de redução das emissões de SO2; > 99% de abatimento de material particulado (fly ash), baixo consumo de água e ainda, não geram efluentes líquidos.

As emissões de NOx são controladas diretamente no processo de combustão. Os queimadores de baixa emissão de NOx garantem um melhor controle da temperatura de combustão reduzindo a oxidação do N2 do ar de combustão.

Para o controle do atendimento dos padrões de emissão, foram instalados equipamentos de monitoramento contínuo das emissões atmosféricas.

Efluentes líquidos industriais

O tratamento dos efluentes líquidos é feito internamente, com o máximo de reaproveitamento (recirculação), e o efluente residual, quando existente, já tratado, é lançado juntamente com os efluentes das Fases A e B, passando pela bacia de decantação existente. A bacia tem a capacidade de tratamento de cerca de 1000 m3/h, e recebe atualmente cerca de 300 m3/h.

Resíduos sólidos industriais

Cerca de 80% das cinzas, resíduos minerais resultantes da queima do carvão, do tipo leve (fly ash) são arrastados através do circuito de ar e gases, entrando nos filtros eletrostáticos, onde é captado de forma a atender o padrão de emissão estabelecido no processo de licenciamento ambiental.

As cinzas pesadas (botton ash), que representam 20% das cinzas totais, caem no fundo da fornalha do gerador de vapor, dentro de uma tremonha com água, onde é resfriada para a sua posterior extração e destinação às cavas da mina de carvão.

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